terça-feira, 18 de setembro de 2012

Sem fones.

Via Berrini, via Jardim Ângela, via Santo Amaro e via tantas outras vidas que o transporte público nos proporciona conhecer.

 Por amor.

Não sei quem é o autor da imagem =/
Já falava a muito com a amiga ao telefone. Empolgada contava detalhes da viagem que o namorado havia feito questão de pagar. Gostava de ressaltar que ele pagou.
"Desta vez ele está na minha mão"

Fez um pequeno memorando, lembrando a amiga que já havia quase casado com ele no passado, do ciúmes e da falta de planejamento dela para lidar com a situação. Da separação, e do jeito que ela se fez para entrar na vida dele novamente "desapercebido". Agora ele estava bem, e ela não poderia deixar escapar.

"Sim, na minha mão mesmo. Precisa ver como ele está...dando flores até. É ótimo ver o jogo assim...Claro, naquela época ele não estava tão bem como hoje, mas não era ruim...Culpa daquela vagabunda...Não, acho que ele tenha mais contato com ela. Quer dizer ele tem ela adicionada no face...Claro que eu vi...Mesmo ela namorando, claro que eu estou de olho. Você acha que sou boba Fê? 'Tô te falando, dessa vez eu não vou deixar escapar, ele está super bem agora..."

"Tem vezes que eu fico meio distante, finjo que não achei super legal o que ele fez...Ele fica doido que eu sei. E vem com mais carinhos. Adoro. Precisava ver no começo, antes da gente voltar de vez...Eu lançava umas no ar sabendo que ele ia responder...E eu replicava com uma super indiferença. Funciona Fê...Hahahaha quê? Ah, ele tem uns amigos sim no mesmo nível que ele...Apresento lógico... Já pensou você começa a namorar com um dos amigos e a gente faz as viagens de casal juntas?...Imagina Europa? Ele paga, claro...hahahaha Cala essa boca, não vou deixar ele escapar"

***
Regra dos seis meses.

Eu batendo palmas mentalmente.
"Já reparou como a gente sempre pega as mesmas pessoas no ônibus?" comentou o que vinha na frente para sentar.
"Reparei, deve ser o horário cara. Ow, você vai no barato da Nandinha hoje?" respondeu o segundo sentando-se e afrouxando a gravata.
"Não. Hoje vou pra casa ver Avenida Brasil e dormir de meia"
"Hahaha como você é bicha cara"
"Essa semana tá foda. E porra ela vai marcar na quinta? Porra, acordar no dia seguinte não é mole. Podia ter marcado na sexta, ficava bom. Depois o lance é longe pra caralho e eu tô sem carro"
"O pub é do lado da casa dela se eu não me engano. É acho que também não vou colar lá. Eu vi lá no convite da festa a galera que marcou que ia. Tinhas umas mais ou menos."
"O Pedrão falou que tava querendo ir. Mas ia ver de levar a Julia junto"
"Esse ai tá um fudido"
"Verdade, tudo é a namorada que manda"
"Lembra da primeira vez que ele apareceu com a mina no happy hour? Não comentei nada, mas achei ela meio interesseira"
"Ela tem uma bundinha gostosa"
"Ele tá pagando caro por aquela bundinha dela"
"E vai pagar mais caro pelos peitinhos novos dela de silica"
"Como assim?"
"Tava eu e o Fábio no café no outro dia. A gente estava conversando sobre motos e o Pedrão chegou. Você lembra que a uns meses atras ele falou que ia comprar uma moto pra ir pro trampo, tava juntando dinheiro pra isso, etc"
"Lembro"
"E não é que o cara me chega e fala que não vai mais comprar a moto porque vai dar de presente os implantes de silica pra mina"
"Não fode velho..."
"Eu lembrei na hora da regra dos seis meses que o Fábio tinha falado"
"Fico seis meses fingindo que não tenho grana pra nada quando começo a namorar. Se ela continuar depois disso é porque vale a pena"
"Esse cara é gênio"
"Pedrão devia aprender com ele. Tão a quatro meses juntos acho...Depois de colocar a silica a mina dá um pé nele e ele vai ficar sem a moto e sem os peitos"

***

E eu continuo o meu caminho, ouvindo acidentalmente histórias alheias. E imaginando se o Pedrão conhecesse o namorado da "apaixonada"... Histórias que não se cruzam na realidade normal. Pena.

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Um comentário:

Tatiana Lopes disse...

O típico dois lados da história, né não? E ambos são interesseiros!

Adorei o estilo que você escreve!
Beijão!